segunda-feira, 30 de setembro de 2013

SÚBITO

SÚBITO

Procurava incansavelmente
Algo que completasse sua loucura
Mas frustrava-se
Pois não havia homem ou mulher,
Nem algum ser qualquer
Que de fato lhe preenchesse.
Um dia, por acaso,
Numa dessas cruzadas
Fatais de olhares,
Sentiu que havia encontrado,
Passou a ter seus melhores dias,
Substituiu a tristeza por alegria
E o vazio por um tal amor.
De repente aquilo tudo,
(Aquele conto de fadas inacabado)
Tornou-se seu desespero,
Seu motivo de acordar,
De fazer qualquer coisa,
Até mesmo respirar
E incompreendendo a grandeza
De tal momento,
Tomou-lhe de súbito medo,
Pois de tão feliz que estava,
Perdeu-se de si mesmo,
Na sua filosofia barata
Aprendida pelas
Falas velhas sábias,
Felicidade, amor e coisas da alma humana
Eram intangíveis aos iguais a ele.
Sentiu-se traído por si mesmo.
Refugiou-se no fracasso
De convenções estabelecidas
Viveu uma bela e admirável vida
Que nunca foi de fato dele.





MAZZUCCO, Marcos

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