UMA
MENSAGEM
Hoje me lembrei dela
E por ter lembrado chorei
E lhe mandei uma mensagem,
Coisa simples, palavras ocas,
Era uma ainda penso muito em você,
Mais do que você imagina,
Disfarçado de pergunta boba,
Disfarçado de não quero
Nada além do que pode dar,
Querendo tudo e um pouco mais.
Foi tão boba a mensagem,
Não passava de um breve olá
E ainda assim passava tudo.
As palavras tolas enviadas
Imprimiram assinatura
A todas as cartas românticas
Que recebia, perfumadas e anônimas,
Deram nome aos olhos,
Que ela sentia que a seguiam
Sem saber quem era,
Expuseram quem pergunta dela
Aos outros e pede segredo.
Aquela mensagem
De três breves palavras,
Sem sentido talvez,
Acabou sendo mais que palavras,
Tornou-se pedido, entrega,
Meu desespero e perdição,
De esperar tua resposta,
Chorando por um sim
Aguardando pelo não.
Então me respondeu a mensagem,
Boba, de três frágeis palavras,
Com outra, tão breve, tão fraca
E tão oca quanto a minha.
Eu fiquei sem saber se fingia ou não
entendia
Que ao dizer “oi” eu dizia “te amo”
E que o “tudo bem” perguntado
Era um pedido desesperado
Pela sua presença.
Então fiquei lembrando e chorando
De quem talvez nem esteja lembrando
Quem um dia fui para ela.
O “oi” e o “tudo” respondidos
De resposta seca, reta, gelada,
Me dizia muito, mas
Não me respondia nada,
Nada do que eu queria
MAZZUCCO, Marcos