E o que podemos fazer, se enquanto caminhamos, eles correm?
Enquanto nos debruçamos sobre o sagrado democrático de tentar incluir todos e todas eles decidem e vociferam por nós usando como argumento o sermos representados?
O que podemos fazer se enquanto discutimos soluções de longo prazo eles enfiam goela abaixo soluções pre-definidas e fadadas ao fracasso?
O que podemos fazer se somos pouco e nossas vozes são tão baixas perto dos amplificadores que são as mídias?
Se nossos apelos atingem poucos e dos poucos que atingem a maioria não afeta?
O que podemos fazer se nossos versos dizem 'pensa' mas a tela grita 'veja' e eles preferem Veja a uma discussão saudável?
o que podemos fazer se eles dizem trabalhe e fazem com que apenas o trabalho valha e te definem por ele?
E o que fazer? Se enquanto pensamos em crise eles trabalham por ela?
O que podemos fazer se eles cantam o hino de maneira inflada enquanto doam nossas riquezas ao primeiro que passa?
se eles gritam que jamais seremos vermelhos enquanto nos sangram até a ultima gota?
o que nos resta? a nós que temos como sina a poesia? que somos verso? que somos partitura, teatro, tinta?
O que as nossas eternas inutilidades podem fazer? O que nossas vagabundagens tem a oferecer?
Façamos.... de nossos corpos, arma. já que armas de fato não nos agradam... Sigamos.... sendo loucos.... Provoquemos.... as loucuras alheias.... Sejamos.... arte.