HUMANO
TROCADO
Olhos nos olhos
E outros olhos ao redor,
Olhos de juízes, condenando
E bocas de palavras sacras,
A humilhar;
Bocas de palavras santas
Que julgam o que é certo
Ou errado, a seu favor.
Humanos, de carne, ossos
E desejos, como todos,
Mas que os renegam
Os escondem no manto
Da falsa moralidade
E os retiram de lá,
Nos porões escuros da libidinagem,
Sem que ninguém os veja.
Assim se dizem santos
E cobram santidade alheia.
Humanos que agridem outros,
Em nome de palavras,
Que não se tem certeza
De que foram ditas.
Ovelhas cegas,
Guiadas por seus pastores tolos
E amedrontadas por cães invisíveis.
Estes nos olham dos pés a cabeça
E seu olhar mantém-se do alto,
Seus olhos raivosos nos queimam,
E sua língua afiada nos corta,
Tudo porque nos veem diferentes
E não aceitam a diferença,
Diferença concebida no feto,
Que nos acompanha desde o nascimento,
Portanto, diferença natural,
Que nos faz especiais
Ou seres infernais, para aquelas
bocas.
Somos seres humanos,
Não anormais, não naturais
Não rotulados,
Apenas humanos.
Humanos trocados.
MAZZUCCO, Marcos
Nenhum comentário:
Postar um comentário