Depois da festa macabra o banquete,
Sobre a mesa há carne (a mais barata do mercado)
Que há tempos alimenta os porcos, hoje alimentará os abutres.
Pintados de um verde-amarelo que não representam
Os abutres se espreitam, se enfileiram e se deliciam
Com o desossar da tão frágil carne quase morta.
O sangue que se mantém na carne se esvai aos poucos
Como se fosse secando a cada pequeno golpe.
Algumas vermelhas gotas debatem-se, quase insanas,
tentando fugir ao destino trágico
Mas os abutres são treinados na faca desossar direitos
E o fazem com total escárnio
Cortando da frágil carne brasileira os nervos
Também os meus, os seus, os nossos.
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