COMO EU ME QUERIA
Que saudades de quando escrevia
Quando da minha cabeça a rima fácil
saia.
Que saudade dos tempos que lia
E as coisas que lia tornavam-se
pedaços
E os pedaços de lá e de cá, poesia.
Que saudades de quando amava folhas
Quando o som do grafite deslizando
Formava a valsa perfeita, distinta
Dos batuques de “tics”,
Das teclas de hoje em dia.
Que saudade de quando pensava
De quando não recebia embalados
Meus pães de sabedoria.
E tinha que sofrer em livros,
Pra vê-los em fatias.
Que saudade de quando eu era eu
De quando não me importava com os
outros,
Fazia o que gostava, pulava, cantava,
sorria
E sozinho choro a nostalgia
Por não pensar e não fazer
E principalmente por não ser,
Nem ao menos parecido,
Com o que de fato eu queria.
MAZZUCCO, Marcos
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