terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Vontade.

Tive vontade de falar

Fui para o canto e me calei

Vontade de gritar na sua cara

Te espancar com palavras

Até te matar por inteiro

Tive vontade de te apertar

Te espremer feito laranja podre

E tomar o suco

Vontade de te tornar palavras

Tornar-te livro

Te ler inteiro

E depois esquecê-lo

HUMANO TROCADO 2





Quem mandou nascer humano trocado
Neste mundo desumano, mal amado
Onde às escuras tudo é permitido
E ás claras tudo é pecado.

SANGR’AmoR - 4mãos

SANGR’AmoR

Eu vou cortar meus pulsos
Porque estou sendo expulso
Da tua presença
E com toda a tua vã filosofia
Me perco em teorias
E nas contradições
Que você disse que nunca faria
Aquela fortaleza que tu és
Ou me força crer
Está me forçando a morrer
E a te matar em mim
E com um sorriso falso
Faz da minha presença o acaso
E da minha companhia
Algo simples e raso
E com um pedido de toque velado
Coberto de um amor gelado
Me faz congelar por inteiro
Esse sentimento que me toma
Vou sangrar gota a gota
Feito no corte certeiro
E eu vou partir com dor
Não quero que me entendas mal
Sou simples humano, mortal
E o que te ofereço
Com toda verdade que tenho
Talvez não possa satisfazer
Aquilo que teu ego fez crer
Que de fato chamava amor




POESIA A 4 MÃOS

MAZZUCCO, Marcos E SERQUETTANI, Kyra.

Sonho

SONHO


Acordou assustada
De um sonho metáfora
Ela era um relógio
Com uma peça quebrada
Estava sempre errada
Uns dias, adiantada
Outros tantos, atrasada
E sempre que chegava o amor
Era sempre a hora errada

VEM

VEM.

Eu quis cantar
Te cantar
Te catar
Encantar...
Vai te catar!
Com esse papo
Vem me catar
Em teus braços,
Vem me amar



(a)


domingo, 26 de janeiro de 2014

SOU

Sou aquele
Sou aquela
Sou aquilo
Sou o que você quiser
Sou homem
Sou bicho
Sou bicha
Sou mulher

Mazzucco.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

PLACEBO

PLACEBO

Se foi e voltou
Será que é amor?
Ou se você analisar
É egoísmo
Daquele que jogou fora
E quando de perder era hora
Sorriu e mandou voltar?
Que tipo de amor é esse
Onde um doa-se sempre
E o outro somente está.
O que fazemos?
Que somos capazes
Por esse pseudo-amor
Por este amor placebo
Que se finge para os dois lados
E não completa nenhum.
A que ponto chegamos?
Para não ferir nossa moral
E ainda assim nos satisfazer
Usamos o corpo de quem ama
Para o nosso bel prazer
“Mais amor, por favor?”
Amoral, Amor ao próprio eu
Chega a ser tão mau
Que nem posso chamar de amor.


SOCIEDADE

SOCIEDADE
Me deu vontade de chorar
Lágrimas de sangue
E revolta
Me deu vontade de gritar
Até minha garganta cortar
E alguém ouvir
A sociedade sofre
Em um silêncio fúnebre
Transtornos de humor
Estresse, depressão
A sociedade da pressa
Não tem tempo para um sorriso
Para um bom dia ou como vai
E esta ficando doente
Nossa sociedade esta morrendo
Se desfazendo
Pelo ódio
Pela incapacidade de olhar o outro
De colocar-se no lugar

ALGUNS TONS

“Alguns tons”
Esse poema é para você
E você sabe
Embora fingirá que não entende
Alguns tons de 
Ironias e metáforas
Das quais é mestre
Mas que vou usar 
Para falar de como 
Tens levado tua arte.
Que belo cantor que és
Que vê a frente 
As mais belas letras
Mas na hora de cantá-las
Erra o compasso?
Mantém alguns tons acima
Alguns tons abaixo
Só não segue a melodia.
Letras escritas por ti mesmo
E que diz perfeitas,
Mas, não as valoriza ao cantar.
Que espécie de artista
Tem tais comportamentos?
Que não se mantém fiel
E erra o passo de sua arte?
Chego a pensar que é 
Algo “experimental” 
E que faz parte
Do seu jogo / show / cena.
E se for é magistral
Mas causa em quem ouve pena.
Alguns tons mudam tudo
Alguns tons, cuidado
Não se perca de sua arte
Não a deixe assim de lado
Mantenha-se fiel as melodias
Não erre tanto o compasso
Pelo prazer do errar
Seu publico ficará desagradado
E não vai te ovacionar.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

NÃO SENTIR

NÃO SENTIR

Eu tento não sentir
O viver por si só já dói
E vem você,
Estranho sentimento,
Aumentar meu fardo.
Eu, senhor das minhas
Próprias certezas,
Afundado em dúvidas.
Eu, tão super homem
Revestido de aço
E coração de pedra,
Sinto-me mole e frágil.
Eu tento não sentir
O bem que me fazes,
Sentimento bandido,
Que veio e roubou
Minhas horas, meus dias.
Tento não me acostumar
Tento não necessitar
E tenho me frustrado.
Eu, tão senhor de mim mesmo,
Prefiro o sorriso
E a felicidade de outro
Em detrimento da minha
Se necessário.
Eu tão livre pra voar
Tenho me tornado escravo
Uma escravidão doce
E almejada.
Eu tento não sentir
E tento não repetir
As vezes que te deixei entrar.
Eu tento não querer,
Para não te carregar
Com o ardor de outrem,
Mas a impressão que me vem
É que preciso
Que estou preparado
E que não vai me doer,
Embora, esteja.
Eu tento não sentir
A força estranha
Que exerce em mim
Eu tento não sentir
Querendo e precisando.
Eu, não sentir, tento
E me confundo
É porque lá no fundo
Só o que preciso
É sentir e pronto.

RELATIVO

RELATIVO

Passam-se horas
Dentro de breves segundos
Em que me oferece falas.
Uma dilatação de tempo
Dos segundos que duram
O necessário
Para alegrar meu dia.
Tua voz bailarina linda,
A dançar em meus ouvidos
E pôr meu corpo em festa.
Teus dizeres
Que se tornaram minhas desgraças
E meus prazeres.
Teu negar-se
Que parece me apunhalar
Bem fundo e lentamente.
Teu aceite
Que vem me acariciar a face
Numa quase canção de ninar
De fazer dormir minhas feras.
Um buraco no espaço tempo
E em toda estranha relatividade.
As horas que se parecem dias
E os dias meros minutos
Numa confusão absurda
Que me faz um mal
Que me faz tão bem
Ou vice-versa.





MAZZUCCO, Marcos.

1.

1.
E você acorda duas ou três vezes na pré-manhã com a poesia gritando tão alto na sua cabeça que chega a doer, então aceita o presente-missão que a sua mente se deu, se põe diante a folha branca e se prostra as palavras, que vão se ajeitando, se alojando, organizando como quem já sabe que caminho tomar. E você termina aquele estranhamento que é se deixar dominar, subjugar pelas palavras e se encanta, diria se espanta com as formas que acabara de criar e de ver quanto de você está escarrado na ex-branca folha, de ler a você mesmo e ver de fora e perceber o quanto se analisar assim te faz bem. A vida exposta, escancarada abertamente em metáforas e outros tantos vícios de poeta.

RECEITA

RECEITA
Para a poesia que for
Uma pitada de dor
uma dose de loucura
uns punhados de amor
todas as letras que tiver
insônia ou bebida á gosto
misture tudo como puder
mantenha em fogo alto
mexendo
até chegar ao ponto
e está pronto
rende quantas porções quiser.


MAZZUCCO, Marcos.

domingo, 19 de janeiro de 2014

ESTOU BEM

ESTOU BEM

Se você quiser saber
Estou bem
Bem melhor do que estaria
Se estivesse com você
Eu já te disse que chorei
Chorei sim
Mas tudo isso já passou
Já chegou ao fim
Não me interprete mal
Não me interprete
Não me agrada te interpretar
Faz um tempo
E isso me faz tão bem
Só pra você saber
Eu ainda estou só
Você me fez perceber
Que assim é bem melhor
Eu só tenho a te agradecer
Me obrigou a auto análise
E pude me esclarecer
Eu estou bem
E devo isso a você
Foram suas atitudes escassas
Que me fizeram entender

.

MAU

MAU

E não que você seja mau
Mas comigo você foi
Foi incrivelmente bobo
Engraçado e atraente
Fez comigo o seu jogo
De maneira inconsequente
E me machucou
Mas não é que você seja mau
Você é bom, bom demais
E é por isso que me dói
Ao ver de que maneira
Completamente estranha
Você estranha o carinho
Se boicota e se destrói
E ainda ri de tudo isso
Como se fosse o próprio herói
Se salvando do perigo
Que é você se apaixonar
Não é que você seja mau
Mas você foi, consigo
E eu não consigo
Entender o porquê
Você é bom
Bom até demais
Pra mim, já foi


AMOR

AMOR

Amor não se fabrica
Acontece, apenas
E eu acho uma pena
A forma como nos punimos
Não amando
E não aceitando ser amado
Amor não se fabrica
Mas amor acaba
E não me cabe 
O modo como nós buscamos
Loucamente isto
O fim de algo
Que nem inicio foi dado
E é por medo
Não sei de que modo
Que a gente muda
Essa roda amarga
Anti amor em que nos pomos
Então eu fico mudo
Fico calado
Fazendo as mesmas coisas
Esperando outros resultados

sábado, 18 de janeiro de 2014

...

...
Eu podia usar metáforas
Analogias
Jogos de palavras 
Ou outra firula qualquer
Mas o que tenho pra dizer
Não necessita enfeite
Já é belo e completo por si só
Eu te amo e ponto...

TOQUE

TOQUE

Quando te toco me arrepio
Meu corpo se estranha
Minhas entranhas se remoem
Estremeço, suo frio
Quando te toco
Exponho minha fragilidade
Minha extrema necessidade
De alguém para cuidar
E cuidar de mim
Quando te toco
Me sinto fraco
Mas também me sinto forte
Me sinto gigante
E também me sinto parco
Quando te toco
Parece que eu me perco
E no mesmo instante
Me encontro
Quando te toco
Parece que de tanta lucidez
Chego a ficar louco
E meu raciocínio
Me entontece
Quando te toco
Meu corpo todo percebe
Que este calor beirando febre
é saber que se te toco
Me toco ainda mais                                                                                                   Mazzucco, Marcos.

BRINCAR

BRINCAR...

O brinquedo estava lá
Ao alcance da mão infantil
Mas lhe era estranho
Semelhante a tantos
Com os quais já brincara
E diferente na essência
Aproximava-se
Mas um medo doído
Receio de machucar-se
Ferir-se 
Fazia afastar-se
Lhe parecia divertido
Deveras interessante
Mas não tinha boas memórias
Não tinha boas histórias
Dos resultados
Das brincadeiras anteriores
A criança frágil
Esticava o braço
Querendo muito brincar
Vinha um temor desenfreado
Alertá-lo a parar
Mostrando a ele as feridas
Que ainda teimavam sangrar
Ficou olhando o brinquedo
Que parecia lhe chamar
Olhou novamente as feridas
E ali ficou
E mais um dia se passou
Sem o prazer de brincar