segunda-feira, 30 de setembro de 2013

NEM AO MENOS POR UM DIA

Aos postergadores

NEM AO MENOS POR UM DIA

Aguardei até que fosse a hora certa
E acabei prorrogando ao máximo,
Mas meu desejo foi sempre falar-te
Que teu olhar me queimava,
Que tua pele provocava a minha,
Que teu sorriso me assanhava
E que tua boca me fascinava,
Mas agora é tarde criatura,
Criatura que amei em segredo,
Pois em teus olhos não há mais
Nem amores, nem medos,
Nem aquele brilho que me encantava.
A sua pele tornou-se pálida
E sua voz tornou-se muda,
Eu que sempre te via eufórica,
Percebo-te gelada,
Parado o sangue que forte circulava
E você ali, branca de cera,
Imóvel, estátua do pós-vida,
E vem uma angústia bandida
Provocar meu coração,
Ela fica me dizendo o quanto perdi
De oportunidades de dizer que te amava
E joga na cara, sem pena,
A verdade cruel de não poder mais.
E chega a me humilhar,
Pois, foi por minha covardia,
Que não tive o prazer de desfrutar,
Teu amor, teus sonhos, teus medos,
Nem ao menos por um dia.




MAZZUCCO, Marcos

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