terça-feira, 29 de julho de 2014

ESCRITA...


Vamos fazer um verso juntos
enquanto verso teu corpo,
cada íntimo  detalhe,
cada sensação mínima
transformando teu ser
em meu único assunto...
Vamos escrever um conto
sobre distância e encontro
enquanto me prosa
com voz baixa ao pé d'ouvido
e aos poucos me desmonto...
Vamos fazer poesia
a base de nossos risos
e umas monossílabas
sussurradas nas noites frias...
Vamos escrever
história e estórias
traçando linhas suaves
um na pele do outro...




sexta-feira, 18 de julho de 2014

CANSADO

Cansado de superficialidades; de gente que olha no fundo do teu olho te arranca sinceridades e escarra mentiras deslavadas.
Cansado de tentar acreditar, me fazer acreditar, e depois, ter que chorar todas as dores que podiam ser evitadas apenas com conversas francas.
Cansado de ouvir que tenho que me abrir, que tudo vai ser diferente e ver erro a erro repetindo-se numa sequencia sinistra.
Cansado de gente que diz que tua presença faz bem, mas tão logo que pode, se afasta. Que olha nos teus olhos pedindo chance e estraga tudo.
Cansado de gente que não quer te machucar, machucando. De ser tirado da solidão em que me coloco, de autoconhecimento, para ser contemplado por uma solidão de desprezo.
Cansado do ato de estar conhecendo; de ver de bocas suaves saírem palavras doces que se transmutam em azedo.
Cansado de gente que na sua infelicidade vai destilando seu veneno amargo, de quase destruir outros; de gente que te faz acreditar numa importância que não se tem.
Cansado de gente que te leva ao céu e dois minutos após te enfia a realidade goela abaixo.

Cansado de gente que usa gente como remédio, em doses homeopáticas nas horas de solidão... 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

CORES...

O poeta, pintor de folhas,
sempre tão amargurado
acostumado a escrever denso
pintando versos quase negros,
de uma amor melancolia.
íntimo das palavras-cinzas
não encontra palavras-cores
para pintar seus quadros-folhas
para preencher seus versos
na sua palheta de letras-cores
não encontra a tonalidade certa
para pintar a imagem-verso
que retrate o que sente.



terça-feira, 8 de julho de 2014

CERTEZAS


Busco entre folhas e poemas velhos
Uma explicação para o que passo agora
E não encontro nos rabiscos e tintas
Uma mísera resposta...
Somente confusão e letras soltas
Poesias que não fazem sentido
E não me fazem sentir nada.
Parece diferente de tudo,
De uma diferença que me assusta,
Me embaraça, confunde e consome
E me faz querer fugir.
Dessa vez não dói, é suave
Fico a procurar o espinho,
A farpa que vai me ferir,
E não encontro nem resquício,
Mas continuo procurando,
Numa busca desesperada
Numa certeza insana
De que algo está errado
Apenas por estar certo demais...


.Mazzucco.

terça-feira, 1 de julho de 2014

LEMBRETE

Vivo espalhado por aí, no vento
Brotando vez cá, vez lá
Crescendo vestígios meus
Por todo lugar,
Perpetuando...
Morro todo dia sem prantos
E renasço em qualquer canto
Sou flor grosseira,
Erva daninha, mato rasteiro
Acostumado a me machucar
“não pise na grama” diz o lembrete
Só eu que não digo nada
Eu fui feito para alguém pisar.



.Mazzucco.

CONTO de FADAS

Me abraça firme,
Aperta, espreme,
Me cola no teu corpo
Deixa sentir teu peito
No compasso do meu.
Me encanta
Com palavras bobas
Me faz rir
Me faz feliz
Me “faz de conta”
Pra sempre
E não me conta nada
Me olha nos olhos
Me engana
E me mata aos poucos
Me entorpece
E me embriaga
Me dá uma overdose
De “conto de fadas”
Finge pra mim que é amor.




.Mazzucco.

DO PASSADO...

Hoje reviro o álbum de fotos velhas tentando encontrar você, deparo-me com sua fotografia, olho-a atentamente, mas, você não está lá. Em seu lugar, um rosto frio, que não me desperta nada; fixo meus olhos atentamente, esperando a hora que o meu sorriso se abrirá ou uma lágrima deslizará pela face, como tipicamente reagia apenas por te ver, mas, nada. Aquele alguém que amei de uma forma tão pura, intensa e inocente, parece não existir mais... Habita o mundo, esbarra em mim pelos caminhos da vida, me dá um bom dia sem graça, desvia olhares, e ainda assim não existe... Não desperta nada, como se bloqueado pelo cérebro tamanho trauma que foi.
Tento te buscar nas imagens do passado, tento encontrar aquele amor que deixei pelo caminho, descobrir em que ponto eu desisti de amar para sempre. Tento te encontrar nas fotos velhas e chorar, porque a dor é a única certeza de amar, e amar é a única certeza de estar vivo... Aprendi com você a amar e por amar, reaprendi a viver.
Quanto te deixei, larguei também o que conhecia por vida, preciso ao menos uma gota do teu amor doloroso, pra ter de volta sentido viver.




.Mazzucco.