OLHAR
O olhar era tão fundo
E no fundo tão doloroso
Que nem a própria dor
Traduzia aquele olhar.
Era um olhar de medo
Pavor incontido do que há de vir.
Aquele olhar de não há o que fazer
Enquanto a vida vai evadindo o corpo,
Olhar de dor, da carne dilacerando
E aos poucos vida
Em morte transformando
Dando fim a uma bela história.
A dor atormentadora que dura segundos,
Mas o tempo necessário para ser única,
Do coração sendo perfurado
A dor que dói em quem sente
E em quem ama.
Olhar do fim,
Que vai se fechando para a vida
O olhar do pré-morte
Angustiante, desesperador
E eternamente lembrado por quem vê.
Olhar mortal, mortífero,
Que encerra a vida do que padece
E marca pra sempre os que têm
A triste experiência de vê-lo.
MAZZUCCO, Marcos
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