terça-feira, 28 de julho de 2015

SOBRE MEU PROBLEMA DE VISTA...

Acho que perdi meus óculos...
Achava-os perfeitos e sob medida,
Me agradavam em tudo,
Usava-os e exibia, as lentes perfeitas
Cismado que sou, me incomodou algo
Pareciam as lentes
Primeiro vi uma poeira, um cisco
Aí fui mexendo, remexendo
E logo se viu um risco,
E parecia risco velho
Eis que a lente arranhou,
E de lá pra cá não tem sido a mesma coisa
Os óculos que me ajudavam a enxergar melhor
Com aquele velho risco aparente,
Passaram a umedecer meus olhos...
Medo de desfazer-se dos belos óculos
Continuei usando-os e forçando as vistas
...Cansaram-se...
Os óculos foram para o lado,
Passei um tempo sem eles
E meus olhos pareciam curados
Resolvi pô-los novamente
Eis que o maldito risco antigo
Atacou-me as vistas assombrosamente
E a fez transbordar.
Acho que quebrei meus óculos
Agora resta saber se jogo fora
Ou vale a pena consertar....



.MAZZUCCO.

sábado, 4 de julho de 2015

Oficina dramaturgia

Ele caminha com passos largos, olhos firmes na direção em que segue e os pensamentos em um lugar que nem ele mesmo sabe.
Ao fundo uma imensidão de concreto
Arame e madeira.
Concreto armado, na vertical.
Uma sobreposição de cinzas com pequenos quadrados por onde brota luz; a ambientação quase perfeita para aquele solitário.
Ele caminha pela calçada vazia.
Sente na pela (a pouca que está exposta) o calor dos primeiros raios de sol e o vento, um ar gelado (quase fúnebre) do domingo recém iniciado de meio de outono...
Há uma orquestra de pequenos sons...
Carros. Poucos e lentos... o sutil barulho do pneu encontrando o asfalto
Palavras ecoando... e o não tão sutil roncar de um motor
Atchim! (Ouve-se bem longe)
Saúde!
Cof!Cof! alguém tosse...
Um som que de tão longe quase se perde, mas que lhe parece um latido...
Isso foi um miado?
Chega a ouvir o arrastar das folhas pelo vento...
O próprio vento batendo na parede em um assombro ou assovio...
Abrir e fechar de janelas... e portas.
Portas.
PORTAS
Muitas portas, com seu ranger de abrir ou fechar...
As portas não chegam a incomodá-lo, mas o barulho que fazem em sua cabeça lhe tira o foco....
Porque estão aqui? (Se pergunta)...
A sequencia aleatória de diferentes portas- postas lado a lado - o intrigava.
Quais segredos podem guardar estas portas? (Se pergunta novamente)...
Será que há nelas mais segredos que eu possa guardar?
Foto Vivian Maier