quinta-feira, 31 de outubro de 2013

PENSE

PENSE


Pense o que quiser
pense, se puder
pense...
só não me pense teu
só não me pense um qualquer
só não me pense só
só pense em mim
somente
ou tente não pensar.





Mazzucco, Marcos.


Você só, mente
Só mente!
Você só...
Vou ser só
Sou mente,
Semente sou.
Semente você é.
Você somente é,
Você só
Só mentiras.
Mentirada!
Mente irada
sou eu,
somente.


Mazzucco, Marcos.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

A UNS E OUTROS

A UNS E OUTROS

plágio é tão blasé
e tão ordinário
que nem capitalista
nojento e sanguinário
curte ver...
Anarquia estética?
Guerrilha artística?
são tão fortes e boas
mas é tão mais belo e digno
usar de sua mente à toa..
Criar bombas?
Arte explosiva?
Que vingue e exploda
tem que ser nova, ter vida
a poesia ou arte,
aí revoluciona(naria)
e não fazendo o mesmo
com copia&cola do dia a dia,
você não faz bomba...
apenas se explode.
Fabrique suas bombas,
Faça explodir o mundo em arte
use seus materiais
e deixe meus poemas
e minhas superficialidades em paz.
meu poema não é impessoal
continua tendo EU
por mais que me exclua
verbo se faz com sujeito
e poesia com inspiração crua.


Mazzucco, Marcos.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

VANDALISMO

VANDALISMO

Eu quero golpear
o vidro do teu carro com falas
e perfurar teu corpo com versos
eu quero ferir tua calma
rasgar tua carne
até que se esvaia
tua ultima gota de rotina
e quero te injetar alegria,
sonho, desejo e utopia
e com tua alma rasgada
vai se jogar pra vida
e vai morrer poesia.



MAZZUCCO, Marcos

BREVE

BREVE

Você é um poema raso
Breve, de quatro linhas
Que não diz quase nada
mas tudo que quero ouvir




MAZZUCCO, Marcos

4 mãos - PAIXÃO

PAIXÃO
Talvez a paixão seja a cura da alma,
ou sua completa perdição...
Talvez ela seja a perdição necessária
ou cura desejada...
Quem sabe nela se encontre a loucura,
ou a razão que tanto se procura...
Quem sabe ela seja somente louca e irracional,
E que escolhe a qualquer um, por um motivo banal...
Foi fugindo dela que eu me perdi?
Ou foi por ela que esbarrei em ti?
Será ela a razão do meu anseio?
Ou será por ela que tanto te desejo?
Será ela que me fez cego e me faz delirar?
Ou será o toque do teu corpo que faz tudo parar?
Ela que faz as honras dos amantes
e de seres humanos normais, seres errantes...
Ah, essa monstra encoberta em nome belo,
Que faz tudo tão fugaz parecer eterno...

Um poema feito a dois, vivido a quatro e sentido por tantos...




MAZZUCCO, Marcos & SERQUETTANI, Kyra

Nome(Ar)

Nome(Ar)

Eu quero esquecer teu nome
Mas ele faz parte de mim
Está aqui, grudado
Me acompanhando sempre.
Eu queria te excluir
Lembro-te o nome
Eu queria que a tinta
Arranhada no papel
Te apagasse, mas, não
Te reforça e
Te gruda na folha branca
Feito tatuagem na pele
Esse Poeminha mal sucedido
É palavra não escrita
Apenas poesia chorada
Sussurrada entre noite
Por três almas perdidas
Assim para assinar o poema
Vou nome por nome listar
E os pobres, vou humilhar
Com esta exposição
João Maria
Maria José
José João






MAZZUCCO, Marcos.

NÃO

Não

Você não quer me entender
nem eu mesmo quero
entender a mim
não o quero
tu queres
não eu
quero
você
não
eu




MAZZUCCO, Marcos 

ESCALA

ESCALA

É minuto de dó
De dor...
De dormir
Dominó
É hora de ré
De reler
De ralar
Relembrar
É tarde de mi
De mim
De mentir
Mantiver
É dia de fá
De faz...
De fazer
Facilitar
É mês de sol
De só
De sou teu
Solteiro
É ano de lá
De cá
De cair
Caminhar
É tempo de si
De ser
De sibilar
Cantarolar


MAZZUCCO, Marcos

(H)oras

Poesia?

Bagunçada feito minha cabeça,

confusa feito meus dias
arrastada feito minhas                                          (H)oras




Que horas são?

Sou
Confusão


Tem horas
Oras!

Desilusão
Sou, e não

Que hora é?
Tem horas?
Em tão...
Então
Tão fora

Hora reza
Ora, implora

Tenho, oras!
Horas pra mim?
Ora!
Oras pra Deus?
Choras

Sou, ora!
Hora?
Oras
Oração



MAZZUCCO, Marcos

ANIMAIS

ANIMAIS
 Agora uma coisa é certa,
a madame está de cima de seu salto
assinando petições online
e gastando discursos de amor a vida
pra salvar os pobres bichanos
que nós humanos maltratamos,
ao seu lado, na calçada,
um monte de outros bichos
agonizam em estado precário
e ela caminha estalando seu salto
e faz de conta que nem os vê
é porque são bichos inferiores,
são apenas moradores,
sub-humanos de um sistema decadente,
são só resquício de gente...
então são menos que nada..




MAZZUCCO, Marcos

INCONSTANTE

INCONSTANTE
Tem horas que eu nem sei
         Se eu acordei
Ou se nem fui dormir
Tem horas que eu não sei
De onde eu vim
E eu me confundo
Para aonde eu vou
Tem horas que eu nem sei ser
E horas nem sei quem sou



MAZZUCCO, Marcos

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

GATO

GATO

Gato negro
Cruzou meu caminho
Gato malandro
Da minha cama fez ninho
E da minha vida fez a sua
Me fez companhia
Me fez chamego
Gato esperto
Gato negro
Gato safado
Que nunca sei
O que quer de fato
Se espreguiça na minha cama
Se enrola no meu corpo
Como animal que ama
E pela manhã se vai à farra.
Gato bandido
Gato negro
Gato perdido.


MAZZUCCO, Marcos

domingo, 13 de outubro de 2013

ADULTO

ADULTO

Fiz escolhas
Vivo nelas
Assumi a culpa
A que me cabia
Dobrei a tua
Te olho
Sem te olhar
Sem que me veja
Nos esbarramos
Quero teu olho
Me nego
Eu saio
Uma quase fuga
Sem desculpas
Temo as palavras
Abrir a boca
Soltar todas
Buscar um beijo
Não ser adulto
Não saber lidar
Preferi me afastar

Você não me incomoda
Tua presença me altera
Isso não é ruim
É ótimo e proibido
Devo ser forte
Bom adulto
Bem treinado
Saber reagir
Agir de forma certa
Admitir derrotas
Mundo adulto
Segue sempre
Infantilidade voltar
Seja adulto
Seja estável
Desmentir, contrariar-se
É ser criança
Nesse mundo adulto
Criança chorona
Corpo adulto
Inaceitável




MAZZUCCO, Marcos. 2013

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

SEM VIOLÊNCIA

SEM VIOLÊNCIA
Agora a coisa ficou séria!
Todos aqueles milhares,
que nas ruas cantaram hinos
e louvaram a beleza de ser brasileiro,
voltaram pros seus sofás e novelas
com sensação de dever cumprido.
Na rua ficaram os revoltados
que cobrindo o rosto expõe a ira,
irados pelo que antecedia
e agora pelo que procede;
nas ruas hasteiam bandeiras
por um não idealismo
para derrubar um falso regime
tentando mostrar a força
que democracia esta falha
e os cidadãos "normais" estão chocados
com tamanha rebeldia.
Afinal, dá pra revolucionar sem guerra,
sem bandalheira, vandalismo e gritaria
pois é o que lhe diz a mídia
massantemente todo dia,
pregando um pacifismo moroso
e culpando quem se move
tratando de ser danoso
quem faz vidraça em pedaço
ou quem expõe o corpo lutando.
O cidadão ficou por anos remoendo
suas revoltas em frente a um aparelho
e depois saiu pedindo mudança
sem nem saber do que mesmo.
Agora a porra ficou séria
porque ainda tem povo na rua,
e quem está sabe o porque
e não vai sair tão cedo
E quem está na rua, agora,
não tem medo
e também não tem receio.
O quebra-quebra está liberado
o "sem-violência" foi calado
e o brado da rua agora é outro
Sinto dizer, por todos
que prevejo marés ruins
prevejo a alguns direito fim
e um falsa paz será forçada...
uma paz dita dura.


MAZZUCCO, Marcos.

UDQ

UDQ

- Quer um?
- UM?
- Quer um dia?
- DIA?
- Um. Quer?
- QUAL?
- Um qualquer
- Qualquer um?
- QUER?
- Qualquer dia?
- Qual dia quer?
- Qualquer?
- Quer qual dia?
- Dia um.
- Quer dia um?
- Um!
- Um dia qualquer.
MAZZUCCO, Marcos.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

DANÇA

DANÇA

E naquele curto espaço de tempo, se delicia
na brevidade sonora de uma música
o seu corpo toma o ar e o acaricia
com um sorriso e um olhar que a embelezam
e dão a ela uma leveza incomum.
Seu corpo gira entre a imensidão de ar
parece pluma flutuante
seu corpo dando movimento ao som
transformando em poesia corporal
o que antes apenas canção.
Ela e a música se completam
seus movimentos meticulosos e delicados
parecem fazer par com o som
como se ambos fossem apenas um.
Tão precisos, tão exatos e tão belos
os movimentos dela tomam o ar
e preenchem o espaço
aquecem os corações alheios
e fazem os olhos brilharem.
Bendita e tão boa é a dançarina
que nos permite enxergar seu melhor
quando ela dança, ela transborda
pelos poros, sorriso e força do olhar
ela encanta
porque dança com a alma exposta
apenas pelo prazer de dançar.       





MAZZUCCO, Marcos.

sábado, 5 de outubro de 2013

paSSar

paSSar                          
Por você passaram rios,
riscos e risos

passaram rasos
e profundos
profanos e imundos
passaram
se apossaram
lhe desposaram
como para fotos posaram
para fatos
fatídicos
fatigados
foram pouco aproveitados
passaram
passado
só eu que não passo
nem passarei
sou pássaro criei ninho
passarinho
que habita teu interno
meu habitat
e que te habitará
até você parar
e nada mais passar
nem você.

MAZZUCCO, Marcos.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

RAÍZES

   RAÍZES

Quanto tempo demorou
pra semente que gerou você
tornar-se grande deste jeito?
Ao olhar-te enorme assim
Araucária ancestral
me invade infinita tristeza.
Quando eu, relva que sou,
tornar-me-ei ao menos arbusto?
Quando minhas raízes
serão capazes de suportar
tal tronco e tal peso
que tua imponência traz?
Será que folha fina e frágil que sou
e vivendo outonos que tenho vivido
ainda assim resistirei?
Ou será que num vento qualquer
vou padecer
e somente de adubo servirei
para que uma árvore de verdade
venha florescer?
Terei sina de semente
que não germina?
e ficarei do chão observando
almejando sem poder,
como todas arvores do bosque,
apenas reflorescer.



M   MAZZUCCO, Marcos.

CUSPE

CUSPE

Eu falei que não te amava mais,
mas veio minha poesia e me desmentiu,
mostrou em cada palavra escrita desejo,
um amor quase insano, doentio
que já estava corroendo, machucando
então para não vacilar,
não titubear ou escorregar nas letras
e quebrar a cara numa rima
ou num verso qualquer,
eu parei de escrever.
As palavras que teimavam,
enfileirei todas e as engoli,
regurgitei umas que teimavam em sair.
Eram amargas, algumas ácidas
outras tantas duras,
perfeitas para quem se dirigiam.
Não digeria aquelas palavras
que foram, dentro de mim,
tornando-se mais duras,
mais ácidas e mais amargas
até tornarem-se veneno.
Tento segurá-las, mas elas escorrem
pelos cantos da minha boca
em profanações, maldizeres,
em poeminhas sujos que só tu entendes,
mas que para desespero meu, não te ferem.
Eu tentei engolir elogios e juras,
para esconder esse sentimento à toa
e agora cuspo ácido,
vômito nas folhas brancas,
tudo remoído em gana,
mesmo sabendo que é em vão
só para não morrer engasgado
com um palavrão na garganta
ou resto de amor entalado
bem no meio do coração.


MAZZUCCO, Marcos.