terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

VERDE



A um matinho, de um verde diferente... de um verde que brilha e que brinda os encontros


VERDE.

atirei sal na terra para nada mais florescer

veio um mato rasteiro, de um verde certeiro

daqueles que brota nos lugarem todos

foi minha areia conquistando

até eu querer colorir o chão meu

pintar de verde a minha imensidão

me fez querer ser mato rasteiro talvez 

me acabar em suas folhas lisas

embrenhar-me nos talos seus

e me esverdear até não se perceber

o que é mato e o que sou eu.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

...

Alguns caminham sozinhos, remoendo histórias do passado, sonhando com possibilidades do futuro e matando seu dia presente; alguns buscam companhia e Amor no hoje,... Alguns escrevem e falam suas dualidades e as assumem; alguns condenam e fazem... Alguns ficam em casa amargando solidão e cuspindo suas doenças criadas; alguns buscam curar-se nos sorrisos alheios... Alguns vivem de inteiros; alguns nunca terão nem meios... Alguns vivem de atirar-se; alguns vivem de receio... Alguns vivem, apenas; alguns (que pena), nem isso.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

À força

Eu quero a poesia do esporro
Na cara, no corpo
Do gozo louco a fruir
A poesia do socorro
Que grita no interno
O que não se quer ouvir
Que nos rasga
Sem carinho, sem cuspe
Sem nada
Poesia socada na força
Enfiada por trás
Pelo poeta insano
Que tira sangue e sono
Eu quero a poesia-verdade
Quero a poesia do dano.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

SURUBA


Resolvi adentrar porões escuros
Onde minha poesia não repousava
Foi poetizar putaria
Numa suruba a quatro
Me vi perdido entre tantas mãos
E tantos egos de poetaria
Muitas mãos e poucas carícias,
O excesso de genitálias
E a falta de tetas
assustou os putos poetas
acostumados com outras letras
Fiquei de voyeur
Assistindo preliminares
E pouca penetração
meu pau de poeta latejava duro,
necessita gozar e agir, gozação
Fui punhetar num canto escuro,
Gozei letrinhas e versos nojentos
Bem na palma da minha mão



PALAVRAS

Você atirou palavras-facas, profundas, cortantes, navalhas.
Você me apunhalou bem fundo com o seu textinho pronto de botequim falido e contradições.
Disse que eu seria o último homem que você teria nesse momento...
E eu pensei sobre os ditos, mastiguei, degluti, regurgitei e cheguei a uma conclusão: Eu não meu bem.
Ao contrário de você não me permito mais a isso, a mentir para mim mesmo, na intenção de crer.
Você é o único homem com quem quero estar, embora existam grandes opções gritando que me querem.
Sou egoísta demais para me frustrar e sou egoísta demais para sofrer, para mendigar.
Não sei por que, nem quanto, mas, eu quero você.
Quero você não de posse, eu me quero com você, me quero te fazendo bem.
Eu não vou me permitir fazer o mais fácil e machucar outros e sair ferido, frustrado, quebrado.
Eu não acredito no amor, não teorizo, nem filosofo bem sobre ele, mas, esse pacote de sentir-se bem e querer o bem e bem mais que costumam chamar de amor, eu sinto. E é por você.
Eu me quero com você. Egoísta que sou, quero me sentir bem lhe proporcionando o bem.
Seja fraco como você está se mostrando, use pontes, use qualquer coisa, me use até se puder. Só não deixe isso passar.
...

SOL

...
Você foi um dia de sol
Que eu quis aproveitar
Cada segundo
Quis me banhar no calor
Emanado
E como todo mal informado
Me queimei
Eu fui desprotegido
Me joguei no teu calor
Saí ferido
Queimaduras de terceiro grau
Aproveitei cada raio
Senti cada pouquinho de calor
E me aqueci do frio
Em que tinha me escondido
Mas, foi um dia apenas
Um dia quente no inverno
Um dia na terra
Que se parece o inferno
E me cansei desse calor
Quero voltar
Para o meu frio interior
Quero voltar a morrer
Com a certeza de não me ferir

...

CANTAR


Cantei uma canção
Até ficar rouco
Uma música breve
Meio louco, meio são
Essa semi canção
Tresloucada
Que uns chamam amor,
Outros chamam de nada
Cantei até fica pirado
Nas manhãs, nas madrugadas
E nas tardes faceiras
Cantei refrões-pedidos
Refrões de perdão
Refrões-besteiras
Cantei e não me arrependo não
Embora preferisse
Nunca ter cantado

VICIO


Eu perco a consciência
Eu me embriago
Me drogo, overdose de você
Te cheiro, te fumo,
Te injeto em minha veia
Eu perco a noção da hora
Mas, você é droga barata
Na mão de quem quiser
Solta nos becos por aí
Preciso do que me faz
Eu te preciso meu rapaz
Necessito ficar drogado
Você é meu melhor vício
Mesmo sabendo que
Não é só meu, te quero
Te quero enfiado em mim
Me matando
Até eu conseguir te matar.

Vento.



Lá vou eu mais uma vez, juntar as folhas que o vento triste do egoísmo e desamor tratou de empurrar alma a fora. As minhas folhas caídas dos outonos que vivi e que ficaram guardadas, mas que o maldito vento tratou de espalhá-las. Estas folhas são minhas e tenho a sina de carregá-las. Havia juntado cada folhinha, catalogado e guardado aonde se devia e ali guardadas não me causavam incomodo, mas esse vento veio tão forte, tão repentino que não me havia preparado e bagunçou tudo fazendo lembrar-me delas. As folhas na sua maioria são belas, mas são todas caídas.

INVEJA

O filosofo diz que aquilo não é música,
o cantor diz: "tá errado"  e emenda
"querias ter meu talento
estou sendo invejado"
"errado" grita de pronto o filosofo
e emenda
"isso de sempre achar
que o outro quer ser tu,
é prepotência elevada
você nem sabe cantar"
O cantor revolta
e na mesma hora solta
"Você é que não sabe nada.
Se diz conhecedor, mas
nem sabe filosofar"
Eis que o pensador se exalta
"Vê se para de invejar"