SILÊNCIO
Coloquei meu corpo em frente ao abismo
Esperando que em tua rudez me
empurrasse
Ou que em belo gesto de afeto
Com suas mãos me puxasse
Mas ficaste parado, talvez me olhando
Eu estendi meus braços ao céu implorando
Mas tuas respostas se calaram.
Me feres mais com teu silêncio
Do que poderia me ferir tua fala
Me machucas mais ao calar-te
Do que se me violentasse com fúria.
Porque te manténs calado?
Acabe logo com a amargura que tenho
Diga-me coisas hereges, ásperas,
ofensivas
Empurre-me, me maltrate, espanque
Só não fique imóvel, estático
Tão silencioso que até me causa dúvida
De que realmente esteja ali.
Não deixe na beira do abismo
Faça algo, mova-se, até de forma
sutil,
Mostre-me
Faça-me acreditar que seu silêncio
Não é ausência
Faça escolhas por mim,
Mesmo que não sejam as corretas
Leve-me pra junto da tua presença
Me cala pra sempre,
Ou me deixa gritando teu nome
Só não me deixe,
No silêncio do abismo.
MAZZUCCO, Marcos
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