sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

 

Me faz de instrumento teu, 

toca em mim tirando sons. 

Desliza os dedos por minha pele, 

dedilha meu corpo-instrumento, 

como as teclas de um piano.

Decifra meu corpo como partitura

me lê, me transforma em sons. 

Cria comigo uma melodia noturna 

que atravessa a cama e as paredes.

Balbucia notas abafadas ao meu ouvido. 

Me toca em dó, ré, mi, fá até nascer o sol.

 



Mazzucco, 2025

Corda Bamba...

Eu sou uma alma livre... 

Presa em um corpo que teima em falhar

Meus pensamentos são como andorinhas no céu 

E meu corpo, tempestade, que impedem de voar.

Das coisas que desejei ou almejadas, 

a maioria ficou pelo caminho, 

pois meus sonhos são pesos à carregar 

e meu corpo, frágil, não suporta a caminhada.

As vezes que meus olhos brilham

vislumbrando sonhos e feitos, 

meu corpo age como o último que sai, 

que apaga a luz e deixa tudo no escuro.

Tem sido difícil fazer as pazes com estas carnes arranhadas, 

com este coração fragilizado que tanto me assombra os dias.

Os medos provocados pela fragilidade do peito 

tem ocupado os meu tempo, numa quase paralisia.

por medo de que ao aproveitar, sem medo, 

eu acabe por cessá-lo, para sempre...

Tenho teimado em nem desfrutar meu dia 

Transformei em mim o equilíbrio um ofício

Existindo num corpo que anda numa corda bamba

atravessando um profundo e denso precipício.



Mazzucco, 2024


quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

 




Tatuei em meu corpo: "encare a vida de peito aberto" 

Para não me esquecer que é urgente e necessário viver.