MAR
Eu fui buscar um sentido
E acabei perdendo o norte
Me joguei numa maré alta
Sem forças, sem colete
E sem avistar salva-vidas algum
Me debati e engoli tanta água
Só que não consegui morrer
E tive de aprender a conviver
E passei a gostar de afogar-me.
Senti o sal forte da água
Queimando-me
Acabou se fixando em minha pele
E hoje é capa protetora.
O próprio mar em que me atirei
Não quis me matar e tornou-me forte
Tão forte e salgado
Que fui vomitando, nos outros
A insalubridade
Do líquido em que me banhei,
Mergulhei, nadei e permaneci
E ainda estou
E depois de um tempo
Aprendi a ser peixe
E fiz do mar que atormenta
Meu habitat
E fiz das ondas que me esmurram
O balanço que me acalma,
O cafuné que me mima
E o motivo para nadar.
MAZZUCCO, Marcos
Nenhum comentário:
Postar um comentário