Infelizmente vivemos em um mundo que esconde facetas más.
Sendo a arte uma ferramenta, busquei transformar em poesia,
aquilo que dói em muitos, e infelizmente persiste: Abuso Sexual
BASTA!!!
Tua mão tocou meu corpo
Minha vulva, me violou
Eu chorei baixinho
De raiva, de medo, de dor.
Sofri calada, destruída,
Esmigalhada,
Tirou meu sangue e infância
Meu carinho, meu amor,
Em troca de um prazer nojento
Repulsivo, sem sabor.
Usou meu corpo,
Por sua vontade
Me fez chorar de ódio
Com seu êxtase,
Mistura suja,
De prazer e maldade.
Criou uma canção de morte
Com meu choro sofrido
E seu respirar fundo,
A canção que toda noite
Me faz o não ninar.
Pode estupro ser poesia?
Uma poesia suja,
Um poema reverso,
Com suor, sangue, tristeza,
Sem carinho, sem beijo,
Sem beleza e sem verso,
Apenas ódio, medo e revolta.
Sempre gritei basta,
Mas meu basta, não lhe bastou,
Surrou meu rosto com sua força
E meu corpo com seu desejo,
Usou mais força, mais gana, mais tudo,
Me tirou mais sangue, mais honra, mais
vida.
Eu gritava desesperada,
Mas uma dor não ouvida
E de tanta dor sentida
A pouca força existente,
Tornou-se força perdida.
Meu corpo pequeno e frágil
De menina que brinca de bonecas
E sonha com príncipe encantado
Sofria as penas de não ser corpo doente
Mas de ser corpo violado...
Meus gritos de basta,
Abafados por gemidos animais,
Criaram minha canção noturna
Monstruosa e contínua...
Ontem gritei basta outra vez,
Mas outra vez não bastou.
Me retraí, controlei
Rezei para um santo,
Um deus ou diabo qualquer
Pedindo no corpo de menina
A força de uma mulher.
Serrei os olhos e tomou-me um demônio
Cravei-lhe as unhas em seu pescoço
Mordi-lhe a carne até sentir o osso
E com um caco qualquer de vidro
Na jugular o perfurei.
Senti seu sangue jorrando,
Seu grito se estrangulando
E um prazer sinistro me tomou.
Soltei um basta gutural de ódio
E fiquei observando,
Ele morrendo, eu rindo.
Meu prazer tornou-se forte
E meu escarro certeiro
Tornou o rosto de monstro paterno
Em face calada de morte
MAZZUCCO, Marcos
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