segunda-feira, 30 de setembro de 2013

SINA

SINA
Sofria de poeta.
Da sina das palavras,
Que teimavam em saltar
Diante dele.
Tropeçavam na sua cabeça
E não tardavam transbordar
Pelas mãos, lábios ou olhos
Parte de seu carma de artista
Era sentí-las
Nunca eram letras apenas
Elas vinham carregadas,
Diria sobrecarregadas
Das possibilidades
Da palavra escrita.
Atiravam-se pelas pontas
Dos dedos do poeta
E iam se fazer vivas.
Algumas de tal empáfia
Atiravam-se com as salivas
Faziam-se como punhal,
Capaz de perfurar quem ouvia,
E depois fugiam.
Elas não tinham apego ao poeta
Também ele não tinha por elas,
Acabou, com o tempo,
Por nem querer saber delas
E jogá-las por aí
Hora como pedras,
Visto a dureza que tinham
Hora como beijos,
Que iam doces
Acariciar faces alheias.
Não viveu para as palavras
O distinto poeta,
Mas por elas foi guiado
Numa bela trajetória,
Ou não tão bela,
Visto que a sina do poeta era
Levar vida atirada,
 Qual suas palavras.
Como a poesia que ia criando
(Que se moldava a tudo)
Assim também ele era
Jogando-se a tudo que vinha.
A sina do poeta não era
Sentir, nem ser triste
Nem ser alegre ou melancolia
Era a sina de ser palavra atirada

De ser breve poesia.

Mazzucco, Marcos

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