SINA
Sofria de poeta.
Da sina das palavras,
Que teimavam em saltar
Diante dele.
Tropeçavam na sua cabeça
E não tardavam transbordar
Pelas mãos, lábios ou olhos
Parte de seu carma de artista
Era sentí-las
Nunca eram letras apenas
Elas vinham carregadas,
Diria sobrecarregadas
Das possibilidades
Da palavra escrita.
Atiravam-se pelas pontas
Dos dedos do poeta
E iam se fazer vivas.
Algumas de tal empáfia
Atiravam-se com as salivas
Faziam-se como punhal,
Capaz de perfurar quem ouvia,
E depois fugiam.
Elas não tinham apego ao poeta
Também ele não tinha por elas,
Acabou, com o tempo,
Por nem querer saber delas
E jogá-las por aí
Hora como pedras,
Visto a dureza que tinham
Hora como beijos,
Que iam doces
Acariciar
faces alheias.
Não
viveu para as palavras
O
distinto poeta,
Mas por
elas foi guiado
Numa
bela trajetória,
Ou não
tão bela,
Visto
que a sina do poeta era
Levar
vida atirada,
Qual suas palavras.
Como a
poesia que ia criando
(Que se
moldava a tudo)
Assim
também ele era
Jogando-se
a tudo que vinha.
A sina
do poeta não era
Sentir,
nem ser triste
Nem ser
alegre ou melancolia
Era a
sina de ser palavra atirada
De ser
breve poesia.
Mazzucco, Marcos
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