PROCURO
Procuro, procuro e não encontro
Talvez o que eu busque é desencontro
E o que eu plante é o desalento
Nem mesmo sei do acalento,
Nem se terei ou se o quero,
Nem se penso, sonho ou espero,
Pelo amor, sentimento divino,
Ou se quero o mesmo que quando menino,
Porque os sonhos morreram em infância
Foram deixados, esquecidos na
distância
Para não serem reencontrados no futuro
Ou se forem, vem lá o presente, duro
E nos faz questão de lembrar
Que no passado esquecemos-nos de
plantar
E agora não tem nem flor, nem fruto,
Nem amigo doce ou bruto,
Nem que nos ensine sobre amor,
Só mesmo a amargura interior
Das lutas de você com você mesmo
E das coisas que pensa a esmo
E do que quer da sua vida,
E quando o amor é coisa pretendida
Percebe que o destino o afronta
E somente quando não mais procura
É que de fato o encontra.
MAZZUCCO, Marcos
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