sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Sequência...

Palavras são um refúgio teu,
amontoados
sobre os quais te debruça em horas a fio
e te prendes...
e te perdes...
Tenho dito há um longo tempo
que de forma oposta,
amontoando-as,
me refúgio também,
me escondo,
me exponho.
Dois amantes das palavras
entendedores do peso que elas têm.
Usamos um para o outro
uma sequência de três palavras,
que os desconhecedores do real significado,
têm tornado em frase morta, sem sentido
te tanto repeti-la sem querer.
A sequência
(simples, boba, despretensiosa
e ao mesmo tempo profunda e precisa)
foi trocada pela boca,
pelos olhos, sorrisos, lábios e saliva
pelos abraços, poros e carícias
e tornaram os amantes das palavras
em amantes, apenas.

:P

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

M.

... Eis que na impossibilidade do tato me peguei olhando as fotos tuas.
teus olhos estáticos da imagem suscitaram aos meus, brilho; o sorriso aberto de encanto fez abrir-se o meu também. 
Me percebi tão bobo, a te olhar, tão criança frente a brinquedo novo com vontade de brincar...
Me vi aqui, distante, tocando as curvas de teu rosto imóvel, teus olhos quase fechados, teus cabelos, teus traços... a armação de teu óculos, crês?
Sorri um riso frouxo, daqueles que dou nos melhores dias e agradeci...
Dei um obrigado entusiasta ao universo pelo privilégio de te encontrar num destes caminhos estranhos da vida...
Nesse nosso jogo de distâncias e proximidades tenho crescido muito, um amadurecimento que tem espantando dores e receios.
A construção desse algo novo, só nosso e tão doce tem me tornado forte. A certeza do querer se concretizando cada vez mais...
A certeza de que querer vale mais do que nada.
por querer, por tentar... a ti, obrigado!

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

(a)FUNÇÃO


Evocar teus demônios
Atiçar tuas feras
Mexer em tuas feridas
Expor tuas entranhas
Escarrar na tua cara
Espalmar tua alma
Atrapalhar tua rotina
Arranhar tua retina
Espremer tua calma
E te fazer vibrar
Te ver, perceber, questionar.
Sou sem função, (minha sina).

Profissão: atuar

CHÁ DAS...

Tomei um chá de anormalidade
comecei a dizer barbaridades,
enxergar o que ninguém vê.
Tomei um chá de loucura
de um amargo tão quente
que me entalou na garganta
e me fez querer gritar.
Tomei o chá do contrário
que atiçou-me os porquês
ao ingrediente primário
que anda em estado precário

dou-lhe o nome lucidez.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

SOBRE ONTEM


As minhas palavras, pronunciadas por outros,
me fizeram reviver cada sílaba dita,
a dramaturgia nada linear da minha vida,
o fechamento de ciclos,
a missa de sétimo dia dos defuntos
que povoavam minha mente.
O desespero por um amor,
(Imaginário e fantasioso), 
que de fato nunca existiu, 
retratado duplamente em minha frente;
O escárnio de um amor platônico,
(quase suicida) cuspido na minha cara...
E a leveza... A assustadora leveza de algo diferente e novo,
A forma nova de sentir, de entender.
Ontem, as palavras que atiro ao vento,
Retornaram feito pedras,
feito respostas às perguntas que joguei também. 
as palavras vieram,
e me dei conta de algumas verdades,
assumi alguns fins.
A minha própria arte, 
belamente escarrada em mim,
jogou fora dúvidas e medos tolos.
Agradeço as cabeças,
que se apossaram das minhas letras,
as gargantas que às expurgaram 
e as mãos artistas,
que me esbofetearam.

.MAZZUCCO.

terça-feira, 29 de julho de 2014

ESCRITA...


Vamos fazer um verso juntos
enquanto verso teu corpo,
cada íntimo  detalhe,
cada sensação mínima
transformando teu ser
em meu único assunto...
Vamos escrever um conto
sobre distância e encontro
enquanto me prosa
com voz baixa ao pé d'ouvido
e aos poucos me desmonto...
Vamos fazer poesia
a base de nossos risos
e umas monossílabas
sussurradas nas noites frias...
Vamos escrever
história e estórias
traçando linhas suaves
um na pele do outro...




sexta-feira, 18 de julho de 2014

CANSADO

Cansado de superficialidades; de gente que olha no fundo do teu olho te arranca sinceridades e escarra mentiras deslavadas.
Cansado de tentar acreditar, me fazer acreditar, e depois, ter que chorar todas as dores que podiam ser evitadas apenas com conversas francas.
Cansado de ouvir que tenho que me abrir, que tudo vai ser diferente e ver erro a erro repetindo-se numa sequencia sinistra.
Cansado de gente que diz que tua presença faz bem, mas tão logo que pode, se afasta. Que olha nos teus olhos pedindo chance e estraga tudo.
Cansado de gente que não quer te machucar, machucando. De ser tirado da solidão em que me coloco, de autoconhecimento, para ser contemplado por uma solidão de desprezo.
Cansado do ato de estar conhecendo; de ver de bocas suaves saírem palavras doces que se transmutam em azedo.
Cansado de gente que na sua infelicidade vai destilando seu veneno amargo, de quase destruir outros; de gente que te faz acreditar numa importância que não se tem.
Cansado de gente que te leva ao céu e dois minutos após te enfia a realidade goela abaixo.

Cansado de gente que usa gente como remédio, em doses homeopáticas nas horas de solidão... 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

CORES...

O poeta, pintor de folhas,
sempre tão amargurado
acostumado a escrever denso
pintando versos quase negros,
de uma amor melancolia.
íntimo das palavras-cinzas
não encontra palavras-cores
para pintar seus quadros-folhas
para preencher seus versos
na sua palheta de letras-cores
não encontra a tonalidade certa
para pintar a imagem-verso
que retrate o que sente.



terça-feira, 8 de julho de 2014

CERTEZAS


Busco entre folhas e poemas velhos
Uma explicação para o que passo agora
E não encontro nos rabiscos e tintas
Uma mísera resposta...
Somente confusão e letras soltas
Poesias que não fazem sentido
E não me fazem sentir nada.
Parece diferente de tudo,
De uma diferença que me assusta,
Me embaraça, confunde e consome
E me faz querer fugir.
Dessa vez não dói, é suave
Fico a procurar o espinho,
A farpa que vai me ferir,
E não encontro nem resquício,
Mas continuo procurando,
Numa busca desesperada
Numa certeza insana
De que algo está errado
Apenas por estar certo demais...


.Mazzucco.

terça-feira, 1 de julho de 2014

LEMBRETE

Vivo espalhado por aí, no vento
Brotando vez cá, vez lá
Crescendo vestígios meus
Por todo lugar,
Perpetuando...
Morro todo dia sem prantos
E renasço em qualquer canto
Sou flor grosseira,
Erva daninha, mato rasteiro
Acostumado a me machucar
“não pise na grama” diz o lembrete
Só eu que não digo nada
Eu fui feito para alguém pisar.



.Mazzucco.

CONTO de FADAS

Me abraça firme,
Aperta, espreme,
Me cola no teu corpo
Deixa sentir teu peito
No compasso do meu.
Me encanta
Com palavras bobas
Me faz rir
Me faz feliz
Me “faz de conta”
Pra sempre
E não me conta nada
Me olha nos olhos
Me engana
E me mata aos poucos
Me entorpece
E me embriaga
Me dá uma overdose
De “conto de fadas”
Finge pra mim que é amor.




.Mazzucco.

DO PASSADO...

Hoje reviro o álbum de fotos velhas tentando encontrar você, deparo-me com sua fotografia, olho-a atentamente, mas, você não está lá. Em seu lugar, um rosto frio, que não me desperta nada; fixo meus olhos atentamente, esperando a hora que o meu sorriso se abrirá ou uma lágrima deslizará pela face, como tipicamente reagia apenas por te ver, mas, nada. Aquele alguém que amei de uma forma tão pura, intensa e inocente, parece não existir mais... Habita o mundo, esbarra em mim pelos caminhos da vida, me dá um bom dia sem graça, desvia olhares, e ainda assim não existe... Não desperta nada, como se bloqueado pelo cérebro tamanho trauma que foi.
Tento te buscar nas imagens do passado, tento encontrar aquele amor que deixei pelo caminho, descobrir em que ponto eu desisti de amar para sempre. Tento te encontrar nas fotos velhas e chorar, porque a dor é a única certeza de amar, e amar é a única certeza de estar vivo... Aprendi com você a amar e por amar, reaprendi a viver.
Quanto te deixei, larguei também o que conhecia por vida, preciso ao menos uma gota do teu amor doloroso, pra ter de volta sentido viver.




.Mazzucco.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Mais uma de amor


Sedento do teu amor escatológico,
De teu líquido transbordando em meu rosto,
Do cheiro podre de nosso sexo
Fico agora na solidão do meu sofá
Escorrendo suor do meu rosto
Enquanto minha mão trabalha
Alisando o que tua língua veluda pedia.
Imploro transbordar-me por ti,
Te arremessar e te grudar nas fotos velhas
Que me fazem lembrar você.
Colar com minha sede do teu corpo
Te desfigurar com o líquido que te alimentou
E que você tomava com tanto ardor.
Esfregar foto a foto, como antes esfregava teu sexo
Perfurá-las, penetrá-las, violá-las
Como fazíamos um no outro nas noites longas.
Fico lembrando teu cheiro de cio
Esfregado em minha face,
Continuo meu serviço árduo,
Escorre do acento o suor da lida,
E enfim me desfaço, lambuzado
Acendo o cigarro amigo de tantas pós
Respiro fundo buscando o cheiro
Que nosso sexo produzia
E só sinto o cheiro da fumaça,
Da tristeza e da melancolia.
Nosso sexo sujo, de antes
É mera lembrança que me delicia
Que me tira lágrimas, suor e sêmen.
.

.

terça-feira, 22 de abril de 2014

REMÉDIO

Palavras são meu remédio
Na sua pluralidade bela.
Nos dias de desespero,
De desaforo, de desabafo,
Ou nas madrugadas frias
Sinto-me bem com elas
Traçadas ou na cabeça
As busco nesses dias
Que a vida parece vazia
Faço meu ritual
Inspiro o ar que me cerca
Com a energia das palavras
Reverberando perdidas
E transpiro traços
Bobos versos e escárnios
Verdades e ousadia
Hiperdose de palavras
O remédio faz efeito
Transformado em poesia


Vou Levando

Tenho andado por lugares,
Criados em mentes mórbidas,
E continuo seguindo.
Tenho tomado bebidas,
Amargas e de difícil trago,
E tenho feito disso, riso.
Tenho me alimentado bem,
Cogumelos, ratos e sapos,
Engulo alguns todo dia,
Mas, refinam os meus pratos.
Não tenho dormido bem,
Pensamentos me agoniam,
Memórias me distraem
E as noites me confundem.
Tenho sonhado pouco,
Alguns pesadelos loucos
Tem frequentado meu sono.
Tenho levado a vida,
Repleta de contrários,
Pouco alegre ou divertida,

Mas, é melhor do que não tê-la.

Por que não?

Por que você não vai se foder?
Que fica nessa mania de se esconder
de esbanjar papeis e letras 
achando que vou emudecer 
e me assustar com o que sabes.
Chegou a hora de crescer,
você já pensou nisso?
tomar pra si o que te cabe
e parar com a infantilidade
do "sou melhor do que você".
Por que não vai se foder?
E um dia quem sabe
vai ter a capacidade de entender
o que o diploma algum ensina.
Tem doutorado em que?
em se entender, quem sabe?
A minha intenção é te ofender
mas nem precisava falar nada
dar uma de ofendido é sua arte,
e se fazer de desentendido e criticar
Pois é, meu querido, faz parte
Alguns tem dois nomes amargos
e o teu nem ouso mencionar
que é para minha noite não estragar,
espero que fique bem, obrigado.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Manias

Eu tenho mania de ficar te olhando,
De canto, fingindo não ver,
Mania de ficar te seguindo
Te procurando com meu olho,
Mania de em outros corpos
Enxergar sempre o teu.
Eu tenho mania de ficar imóvel,
Gelado e mudo
E de gritar para as paredes brancas
Do meu quarto frio
“Te amo!” e depois calar-me.
Mania de me deixar de lado,
De ficar jogado, relaxado a vida.
Eu tenho mania de me apaixonar,
Sempre, novamente e outra vez
De ficar cego, surdo e besta
E de gostar
De sufocar de tanto amor
De morrer e de matar.
Eu tenho mania de amar.

sábado, 22 de março de 2014

...

...
O teu silêncio
Grita aos meus sentidos
Que você não passa
De um mal-entendido

E eu preferi não escutar

NUBLADO

NUBLADO

Nublei, trovejei e escureci
Tornei-me espessas nuvens
Pretas como nunca vi
Uma tempestade recém chegada
Com umidade branca no ar
Deixou minha calma bagunçada
E do avesso me revirou
Um medo perverso que me tomou
Misturou-se a névoa
E transformou-se em salgadas gotas
E me fez chover
Chovi tanto que me inundei
A água em pura correnteza
Correu violenta por meu corpo
E o meu eu ela arrastou
Chovi até que a água secou
E anoiteci
(Nublado e turvo)
E na turbulência madruguei
E amanheci
(Depois de tantas nuvens)
Ensolarado, enfim
A água do dia passado
Lavou a alma e levou o sal de mim.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

VERDE



A um matinho, de um verde diferente... de um verde que brilha e que brinda os encontros


VERDE.

atirei sal na terra para nada mais florescer

veio um mato rasteiro, de um verde certeiro

daqueles que brota nos lugarem todos

foi minha areia conquistando

até eu querer colorir o chão meu

pintar de verde a minha imensidão

me fez querer ser mato rasteiro talvez 

me acabar em suas folhas lisas

embrenhar-me nos talos seus

e me esverdear até não se perceber

o que é mato e o que sou eu.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

...

Alguns caminham sozinhos, remoendo histórias do passado, sonhando com possibilidades do futuro e matando seu dia presente; alguns buscam companhia e Amor no hoje,... Alguns escrevem e falam suas dualidades e as assumem; alguns condenam e fazem... Alguns ficam em casa amargando solidão e cuspindo suas doenças criadas; alguns buscam curar-se nos sorrisos alheios... Alguns vivem de inteiros; alguns nunca terão nem meios... Alguns vivem de atirar-se; alguns vivem de receio... Alguns vivem, apenas; alguns (que pena), nem isso.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

À força

Eu quero a poesia do esporro
Na cara, no corpo
Do gozo louco a fruir
A poesia do socorro
Que grita no interno
O que não se quer ouvir
Que nos rasga
Sem carinho, sem cuspe
Sem nada
Poesia socada na força
Enfiada por trás
Pelo poeta insano
Que tira sangue e sono
Eu quero a poesia-verdade
Quero a poesia do dano.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

SURUBA


Resolvi adentrar porões escuros
Onde minha poesia não repousava
Foi poetizar putaria
Numa suruba a quatro
Me vi perdido entre tantas mãos
E tantos egos de poetaria
Muitas mãos e poucas carícias,
O excesso de genitálias
E a falta de tetas
assustou os putos poetas
acostumados com outras letras
Fiquei de voyeur
Assistindo preliminares
E pouca penetração
meu pau de poeta latejava duro,
necessita gozar e agir, gozação
Fui punhetar num canto escuro,
Gozei letrinhas e versos nojentos
Bem na palma da minha mão



PALAVRAS

Você atirou palavras-facas, profundas, cortantes, navalhas.
Você me apunhalou bem fundo com o seu textinho pronto de botequim falido e contradições.
Disse que eu seria o último homem que você teria nesse momento...
E eu pensei sobre os ditos, mastiguei, degluti, regurgitei e cheguei a uma conclusão: Eu não meu bem.
Ao contrário de você não me permito mais a isso, a mentir para mim mesmo, na intenção de crer.
Você é o único homem com quem quero estar, embora existam grandes opções gritando que me querem.
Sou egoísta demais para me frustrar e sou egoísta demais para sofrer, para mendigar.
Não sei por que, nem quanto, mas, eu quero você.
Quero você não de posse, eu me quero com você, me quero te fazendo bem.
Eu não vou me permitir fazer o mais fácil e machucar outros e sair ferido, frustrado, quebrado.
Eu não acredito no amor, não teorizo, nem filosofo bem sobre ele, mas, esse pacote de sentir-se bem e querer o bem e bem mais que costumam chamar de amor, eu sinto. E é por você.
Eu me quero com você. Egoísta que sou, quero me sentir bem lhe proporcionando o bem.
Seja fraco como você está se mostrando, use pontes, use qualquer coisa, me use até se puder. Só não deixe isso passar.
...

SOL

...
Você foi um dia de sol
Que eu quis aproveitar
Cada segundo
Quis me banhar no calor
Emanado
E como todo mal informado
Me queimei
Eu fui desprotegido
Me joguei no teu calor
Saí ferido
Queimaduras de terceiro grau
Aproveitei cada raio
Senti cada pouquinho de calor
E me aqueci do frio
Em que tinha me escondido
Mas, foi um dia apenas
Um dia quente no inverno
Um dia na terra
Que se parece o inferno
E me cansei desse calor
Quero voltar
Para o meu frio interior
Quero voltar a morrer
Com a certeza de não me ferir

...

CANTAR


Cantei uma canção
Até ficar rouco
Uma música breve
Meio louco, meio são
Essa semi canção
Tresloucada
Que uns chamam amor,
Outros chamam de nada
Cantei até fica pirado
Nas manhãs, nas madrugadas
E nas tardes faceiras
Cantei refrões-pedidos
Refrões de perdão
Refrões-besteiras
Cantei e não me arrependo não
Embora preferisse
Nunca ter cantado

VICIO


Eu perco a consciência
Eu me embriago
Me drogo, overdose de você
Te cheiro, te fumo,
Te injeto em minha veia
Eu perco a noção da hora
Mas, você é droga barata
Na mão de quem quiser
Solta nos becos por aí
Preciso do que me faz
Eu te preciso meu rapaz
Necessito ficar drogado
Você é meu melhor vício
Mesmo sabendo que
Não é só meu, te quero
Te quero enfiado em mim
Me matando
Até eu conseguir te matar.

Vento.



Lá vou eu mais uma vez, juntar as folhas que o vento triste do egoísmo e desamor tratou de empurrar alma a fora. As minhas folhas caídas dos outonos que vivi e que ficaram guardadas, mas que o maldito vento tratou de espalhá-las. Estas folhas são minhas e tenho a sina de carregá-las. Havia juntado cada folhinha, catalogado e guardado aonde se devia e ali guardadas não me causavam incomodo, mas esse vento veio tão forte, tão repentino que não me havia preparado e bagunçou tudo fazendo lembrar-me delas. As folhas na sua maioria são belas, mas são todas caídas.

INVEJA

O filosofo diz que aquilo não é música,
o cantor diz: "tá errado"  e emenda
"querias ter meu talento
estou sendo invejado"
"errado" grita de pronto o filosofo
e emenda
"isso de sempre achar
que o outro quer ser tu,
é prepotência elevada
você nem sabe cantar"
O cantor revolta
e na mesma hora solta
"Você é que não sabe nada.
Se diz conhecedor, mas
nem sabe filosofar"
Eis que o pensador se exalta
"Vê se para de invejar"