CARTA
AO PAI
Eu me lembro de sua mão na minha
E da firmeza com que segurava
E da segurança que a mim passava
Quando me olhava com sorrisos,
Mas onde foi? Qual data? Qual dia?
Quando ocorreu a grande mudança?
Quando a capa de herói aposentou-se
E junto dela as ilusões de criança?
Pai! Em que ponto da vida eu mudei?
Diga!
Que coisas tão cruéis eu te fiz?
Pois seus beijos viraram brigas
E palavras tão amargas apossarem-se de
tua fala.
Pai! Que momento o marcou tão fundo?
Que largaste o filho e escolheste o mundo
E mesmos estando presente, nunca
estava.
Pai! Porque usas de tal tortura?
Só faz xingar, humilhar, praguejar,
E tenta tornar-me amargo, destruindo
minha doçura.
Perguntas que serão perdidas
Ou em nenhuma hipótese feitas,
Afinal as respostas jamais seriam
dadas
Ou por mais que fossem jamais
responderiam.
Espero que a vida se encarregue de
mostrar
E que por divinos eu encontre formas
de esquecer
A falta paternal, que não paro de
lembrar.
MAZZUCCO, Marcos
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