segunda-feira, 30 de setembro de 2013

CHUVA (Ou gotas)

Nem só de versos!

CHUVA (Ou gotas)

Gosto da chuva, da água escorrendo em meu corpo e mostrando-me coisas que o tempo limpo, por vezes, me faz esquecer.
Gosto de andar na chuva fina, pular, dança, porque ali debaixo das centenas de gotas caindo posso ser de novo o menino que nunca deixei de ser posso imaginar mil coisas e acreditar que vão acontecer.
O encontro da gota fria na pele ainda quente traz bem mais que a sensação do frio, do alívio quando o dia é de muito calor, da nostalgia dos banhos ao ar livre dos tempos de menino, a gota encontrando-se com a pele traz a sensação do toque, do sentido e a sensação do sentir que se é vivo e que se tem muito por fazer e que se pode.
O toque leve das finas gotas nos faz lembrar-se de ver a vida com olhos de criança e não do adulto medroso receando a patologia que a roupa umedecida antecede; aquele olhar infantil, leve, de ver que todas as coisas têm seus motivos e de que devemos aproveitá-las todas, com a mais perfeita alegria.
Gosto também da chuva grossa e de andar lentamente enquanto as espessas gotas atingem meu corpo, meu rosto, por vezes parecendo tentar me ferir. Essa chuva lembra o quanto somos frágeis e oprimidos e as pancadas de umidade fazem balançar os pensamentos e nos forçam a colocar toda angustia para fora e assim caminhando com a chuva no rosto tão forte que esconde a chuva dos olhos, das águas que transbordam do coração, vai a água escorrendo molhando o corpo e vai a angustia junto, lavando a alma.
Gosto da chuva por si só, porque pode ser muitas, ser forte , assustadora ou fraca, refrescante, ser boa ou má, ser lembrança ou medo ou ser somente chuva.






MAZZUCCO, Marcos

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