terça-feira, 17 de dezembro de 2013

CHÁ MAR


CHÁ MAR 
O menino ficou
A chamar
Chamava
Chamar
- Chamas!
A gritar
- Fogo!
Chamas lá
Chamas em todo lugar
- Mamãe!
Ficou a gritar
Chamá-la
Mas lá
De lá longe
Não ouvia chamar
Tomava chá
A beira mar
Enquanto
As chamas lá
Consumiam
O menino
A lhe chamar
MAZZUCCO, Marcos


domingo, 15 de dezembro de 2013

TEU ALGO

TEU ALGO



Você é minha hora
Me deixa lhe ser algo
Já que a ti sou nada
Posso ser um segundo teu
Ou posso ser primeiro
... Tua data marcada

MANIA


MANIA

...........Eu
............com essa mania
...........insuportável
........de me perder
......nas tuas curvas
....e
......depois acordar

sábado, 14 de dezembro de 2013

SENTIR


SENTIR

Vejo da janela flores rosas

E outras de igual aparência

Mas amarelas

São tão simples

Tão viçosas, tão belas

Mas só agora que as vejo

Apesar de sempre estarem lá

Colorindo o meu dia

Nunca me dei conta delas

A gente vai se afundando

Num emaranhado de rotina

E para de ver a beleza

Pura e pequena do dia a dia

A gente só vê trânsito

Fumaça e fila

Se esquece do sol azul

Do verde, do sol que brilha

Ai a vida vem te dar um susto

Quase se evade

Te mostra a fragilidade

E o quanto transpira futilidades

E você fica ali minguando

Dependendo de fios e gotas

E orações pra sobreviver

E quando já aceita morrer

Os sentidos das coisas mudam

E os seus sentidos também

Eles todos se avivam

E então se super ativam

Para você perceber cores

Sensações, cheiros e sabores

Que a rotina teimara em esconder

E assim aprendemos a usar a vida

Quando levamos uma porrada

Quando há risco de perder

O DIA


O DIA

 

Um dia acordei e percebi

Que eu não sabia crer

Que não sabia perdoar

Que eu não sabia ganhar

E só sabia perder

Eu não podia sonhar

Eu não podia jogar

Nem mesmo realizar

Eu só podia padecer

Descobri que não devia cantar

Que não devia sorrir

Nem mesmo conquistar

Que tudo devia doer

Um dia eu acordei e percebi

Que eu não consegui falar

Não conseguia pensar

Nem mesmo respirar

Só conseguia morrer

CONTRÁRIO


CONTRÁRIO


Vivo na contramão do mundo

Do poço eu não imploro saída

Você implora sair do fundo

Me chamas desleixado, sujo, imundo

Só não quero o que você busca

Não quero casa, emprego, fachada

Sou o que chamas de vagabundo

Eu não tenho e nem quero nada

Você não tem nada e quer tudo

Você vive sua vida fixa e chata

Eu vivo solto pelo mundo

Você festeja a liberdade vigiada

Enquanto da minha liberdade forçada

Me delicio e me abundo

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Á MESA


Á MESA

Os quatro tinham amigos em comum,

Estavam ali por isso, sem conhecerem-se.

Mantiveram um silêncio envergonhado

Um vazio desconfortante

Ele quis fazer as honras à mesa

Levantou-se alegre

Abriu um sorriso e apresentou-se

- Meu nome é Marcos

Começa com algo que amo,

Que mostra muito de mim

MAR, profundo e misterioso.

Coralina que por anos

Odiara seu nome. Sorriu

Seu nome começava com graça

Dava brilho ao mundo

COR faz tudo mais feliz.

O outro rapaz ficou calado

Depois emitiu um sorriso

Sem graça, amarelado

- Me chamo Paulo

A outra mulher ficou vermelha

-Custódia

Os quatro se olharam

Ficaram encabulados

Sorriram um amarelo forçado.

-Será que vai chover?

ESCURO


ESCURO

Acordei nublado
Com um humor
De pouco agrado
Parecendo um domingo escuro
Que custa a passar.
Acordei chovendo
Gotas muito grossas
Vindas de rios profundos
De pensamentos imundos
Que não me saem.
Tentei abrir sol com risos
Mas nem raios finos
Consegui formar.
Nublei cada vez mais
Tornei-me noite
Fria e sem luar.
Escureci tanto
Que me tornei ausente
E sumi no meu escuro
Para nunca mais brilhar.

QUERER


QUERER

 

Eu quero a força dos que me precederam

Dos que lutaram, dos que venceram

Dos quase derrotados,mas, nunca desistentes

Dos que eram chamados de loucos, dementes

Eu quero a força dos que sonharam

E percorreram trevas e conquistaram

Quero a sobriedade dos eloquentes

A segurança e fé dos sempre crentes

Quero o olhar dos que partiram

Jornadas longas, terreno incerto, não desistiram

Quero o sorriso vitorioso dos competentes

Que criaram historias sem precedentes

Quero o aplauso dos que me iludiram

E a ovação dos que me desanimaram

Eu quero chorar de contente

Eu quero as vitorias que me esperaram

INFANTILIDADE


INFANTILIDADE

Regurgite sua infantilidade,

Não a vomite em mim

Culpando-me pela tua incapacidade

De ser melhor do que é

Largando o peso das decisões

Que só cabem a você

Sobre mim.

Engula a tua saliva podre

Antes de cuspi-la em fatos

Que de fato, não existem.

Desvie seu olhar do meu

Pois penetrarei tua alma

E sugarei teus mais íntimos segredos

E todo veneno

Que circula em tuas veias

E usarei dele em todos que te circundam

ONTEM


ONTEM

 

Ontem mesmo estávamos juntos

E você mudando assuntos

Mudou o mundo inteiro

E não mudou nada

Fez revolução, destruição

Fechou guerra declarada

Só não fechou nós dois

Deixou a porta escancarada

Ontem mesmo me beijou

A boca não sossegou

E com a mão foi tapada

Só eu que não...

Fiquei aberto, alma esgaçada

E você não achou certo

Não achou errado

Não achou nada

Nem eu, nem você

Nem decisão acertada

FORA


FORA

Tudo fora

Tudo vai fora

A cada hora

Coisas novas

Compradas

Coisas velhas

Jogadas

Desperdiçadas

Roupa fora

Comida fora

A cada hora

Toneladas

Nos lixões

E humanos

Aos milhões

A reaproveitar

Se alimentar

Se lambuzar

No desperdício

Alheio

Vai fora tudo

Dignidade

Respeito

Humanidade

Tudo fora

Toda hora

Sem esperança

De melhorar

ESQUECI


ESQUECI

 

Não te esqueci, infelizmente não te esqueci

As traquinagens, as piadas

Ás vezes que te fiz rir,

Te ouvi, te dei ombro, aplaudi

Te dei atenção quando ninguém daria

Na tarde chata de domingo

Te fiz ver um programa que não queria

Ajudei no estudo, xinguei, compreendi

Ás vezes, as muitas vezes

Que o meu tempo perdi.

Tentei não lembrar tua imagem

Tentei esquecer-te de vez

Me segurei e não pedi: “fica comigo”

Cansei de lhe ter ao lado

E não te ter comigo

E agora explodi de vez

Não vou aceitar ser seu amigo

Eu vim aqui para dizer-te:

“Que esta frase dure eternamente

Mesmo que custe minha felicidade

Se não queres meu amor

Não terás minha amizade”

NOJO


NOJO

 

Você passa por mim e me vê

Mas finge não

O meu cheiro é teu cheiro

E o nosso cheiro

É podridão.

Eu estou ali no canto

E você tentando parecer santo

Em um altar

Meu olfato te encontra

Meu olho te golpeia

E meu corpo canta

A serenata bufante

De um desafinar cativante

Da nossa primeira canção.

Você me vê, me sente, me toma

Com um olhar de fome

Se alimenta, se delicia

Cospe, engole e me come

Mas se esconde em vergonha

Não aceita a alegria

De sermos um apenas

E sermos sujos sedentos

De ser um humano nojento

Que de seus vermes e nojos

Se delicia

E de nosso prazer fétido

Se alimenta.

Mazzucco, Marcos.