QUARTO
DE MIM
Não invada o meu quarto
Nele habita o ser
Que nem eu mesmo sei quem é,
Minha bagunça que só eu entendo,
Detalhes, que mostram um eu
particular,
Que não estão dispostos a compreender
O qual eu não pretendo mostrar.
São canetas jogadas ao lado de meias,
Sujas folhas de tinta azul,
Das canetas que joguei ao léu.
Sujeira azul enfileirada em folhas
brancas
Formando montes de inúteis escritos.
Traços marcados de qualquer forma
Sobre o colchão duro,
A castigo das costas doloridas.
O travesseiro de sempre e o fino
lençol
Que assim ficou de velho.
No canto livros que nunca li
E que talvez nunca leia,
Mas que sonho em escrevê-los.
Palavras de todos os cantos,
Que somadas quase me explicam.
Pequeno e impregnado de mim.
Não invada o meu quarto
Invadindo ele, está me invadindo,
Mexendo nele, está ferindo a mim.
MAZZUCCO, Marcos
Nenhum comentário:
Postar um comentário