sábado, 22 de março de 2014

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O teu silêncio
Grita aos meus sentidos
Que você não passa
De um mal-entendido

E eu preferi não escutar

NUBLADO

NUBLADO

Nublei, trovejei e escureci
Tornei-me espessas nuvens
Pretas como nunca vi
Uma tempestade recém chegada
Com umidade branca no ar
Deixou minha calma bagunçada
E do avesso me revirou
Um medo perverso que me tomou
Misturou-se a névoa
E transformou-se em salgadas gotas
E me fez chover
Chovi tanto que me inundei
A água em pura correnteza
Correu violenta por meu corpo
E o meu eu ela arrastou
Chovi até que a água secou
E anoiteci
(Nublado e turvo)
E na turbulência madruguei
E amanheci
(Depois de tantas nuvens)
Ensolarado, enfim
A água do dia passado
Lavou a alma e levou o sal de mim.