NUBLADO
Nublei,
trovejei e escureci
Tornei-me
espessas nuvens
Pretas
como nunca vi
Uma
tempestade recém chegada
Com
umidade branca no ar
Deixou
minha calma bagunçada
E
do avesso me revirou
Um
medo perverso que me tomou
Misturou-se
a névoa
E
transformou-se em salgadas gotas
E
me fez chover
Chovi
tanto que me inundei
A
água em pura correnteza
Correu
violenta por meu corpo
E
o meu eu ela arrastou
Chovi
até que a água secou
E
anoiteci
(Nublado
e turvo)
E
na turbulência madruguei
E
amanheci
(Depois
de tantas nuvens)
Ensolarado,
enfim
A
água do dia passado
Lavou
a alma e levou o sal de mim.