sexta-feira, 18 de julho de 2014

CANSADO

Cansado de superficialidades; de gente que olha no fundo do teu olho te arranca sinceridades e escarra mentiras deslavadas.
Cansado de tentar acreditar, me fazer acreditar, e depois, ter que chorar todas as dores que podiam ser evitadas apenas com conversas francas.
Cansado de ouvir que tenho que me abrir, que tudo vai ser diferente e ver erro a erro repetindo-se numa sequencia sinistra.
Cansado de gente que diz que tua presença faz bem, mas tão logo que pode, se afasta. Que olha nos teus olhos pedindo chance e estraga tudo.
Cansado de gente que não quer te machucar, machucando. De ser tirado da solidão em que me coloco, de autoconhecimento, para ser contemplado por uma solidão de desprezo.
Cansado do ato de estar conhecendo; de ver de bocas suaves saírem palavras doces que se transmutam em azedo.
Cansado de gente que na sua infelicidade vai destilando seu veneno amargo, de quase destruir outros; de gente que te faz acreditar numa importância que não se tem.
Cansado de gente que te leva ao céu e dois minutos após te enfia a realidade goela abaixo.

Cansado de gente que usa gente como remédio, em doses homeopáticas nas horas de solidão... 

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