quarta-feira, 30 de abril de 2014

Mais uma de amor


Sedento do teu amor escatológico,
De teu líquido transbordando em meu rosto,
Do cheiro podre de nosso sexo
Fico agora na solidão do meu sofá
Escorrendo suor do meu rosto
Enquanto minha mão trabalha
Alisando o que tua língua veluda pedia.
Imploro transbordar-me por ti,
Te arremessar e te grudar nas fotos velhas
Que me fazem lembrar você.
Colar com minha sede do teu corpo
Te desfigurar com o líquido que te alimentou
E que você tomava com tanto ardor.
Esfregar foto a foto, como antes esfregava teu sexo
Perfurá-las, penetrá-las, violá-las
Como fazíamos um no outro nas noites longas.
Fico lembrando teu cheiro de cio
Esfregado em minha face,
Continuo meu serviço árduo,
Escorre do acento o suor da lida,
E enfim me desfaço, lambuzado
Acendo o cigarro amigo de tantas pós
Respiro fundo buscando o cheiro
Que nosso sexo produzia
E só sinto o cheiro da fumaça,
Da tristeza e da melancolia.
Nosso sexo sujo, de antes
É mera lembrança que me delicia
Que me tira lágrimas, suor e sêmen.
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