RAMINHO
(Ou jardineiro)
Sou ramo selvagem,
amadureci entre pedras, inços e espinhos.
Cravei minha raiz tão
fundo para que nenhuma tempestade venha me arrancar de mim.
Me assusta vir
assim, o jardineiro; com suas mãos cuidadosas e sua voz terna me acariciar e me
proteger dos males aos quais sempre sobrevivi.
Me assusta
necessitar desta poda e cuidado diário e de repente não mais ter.
As dores causadas
por ventos fortes e galhos quebrados já me acostumei e nem doem mais, mas a dor
da falta, da ausência é uma dor que afundei em minhas raízes e não as quero
revivê-las. (Apesar de serem parte da minha estrutura, do meu existir e me
fazerem o que sou hoje, não as desejo)
Sou um ramo
selvagem, perdido no meio do mato, que cresceu solitário e que implora ao bom
jardineiro que cuide das flores, (que são mais vistosas e que imploram por
cuidados), pois eu (raminho selvagem, quase inço que sou) sozinho e teimoso,
tenho me virado.
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