terça-feira, 7 de janeiro de 2014

RAMINHO (Ou jardineiro)

RAMINHO (Ou jardineiro)

Sou ramo selvagem, amadureci entre pedras, inços e espinhos.
Cravei minha raiz tão fundo para que nenhuma tempestade venha me arrancar de mim.
Me assusta vir assim, o jardineiro; com suas mãos cuidadosas e sua voz terna me acariciar e me proteger dos males aos quais sempre sobrevivi.
Me assusta necessitar desta poda e cuidado diário e de repente não mais ter.
As dores causadas por ventos fortes e galhos quebrados já me acostumei e nem doem mais, mas a dor da falta, da ausência é uma dor que afundei em minhas raízes e não as quero revivê-las. (Apesar de serem parte da minha estrutura, do meu existir e me fazerem o que sou hoje, não as desejo)
Sou um ramo selvagem, perdido no meio do mato, que cresceu solitário e que implora ao bom jardineiro que cuide das flores, (que são mais vistosas e que imploram por cuidados), pois eu (raminho selvagem, quase inço que sou) sozinho e teimoso, tenho me virado.


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