PRAZERES ESTRANHOS
Era daqueles que roubava pelo prazer do roubo
Que das mais belas flores
Ou dos matos cultivados como tal
Arrancava pedaços, possuindo como seu
Sem se preocupar com os jardins alheios
Apenas querendo embelezar o próprio
Repleto de folhas secas
E que lhe davam um orgulho estranho
Que davam a ele uma satisfação do momento
Mas que o faziam não parar de roubar
Eis que o ladrão estranho
Que luta contra seu sinistro gosto
Ainda ostentando seu jardim
Repleto de restos sem cor e cheiro
De pedaços que arrancou destas flores
Foi posto a prova de seu querer mudar
Avistou uma bela flor
Talvez não a mais bela existente
Mas a mais bela que seus olhos já viram
Com um caule e raízes aparentemente fortes
E pétalas delicadamente
E monstruosamente frágeis
Subiu-lhe quase que instantâneo
Uma necessidade de arrancar pedaços
Pra colorir novamente seu jardim
Pelo tempo que estes pudessem fazer
E esteve com as mãos tão perto
E de fato quis desistir de mudar
Sentiu-se tão bem novamente
Somente pensando em possuir um pedaço
(Qualquer que fosse da flor)
Pra encher seu jardim
estranho
E de fato quis continuar a mudar
Sentiu-se tão mal novamente
Somente pensando em possuir um pedaço
(qualquer que fosse da flor)
Apenas para encher seu jardim estranho
E ficou observando a flor
Ora com gana, ora com zelo
Sem saber o que fazer
Querendo ser fiel ao mudar
Querendo ser fiel a seus instintos
Decidiu, tomou força e precipitou-se
Com suas mãos ágeis de ladrão treinado
Encostou sobre as delicadas cores
E pensou com força em arrancá-las
E doeu-lhe uma dor estranha
De imaginar a flor assim sem partes
Doeu-lhe de pensar em tirar a beleza
Para seu bel prazer
Regressou...
E tratou de ficar apenas observando
E aquilo apenas
O bastou naquele instante
Sentiu uma triste felicidade
Uma alegria boba por não fazer
Que o preencheu
Diferente da alegria nojenta
Que o tomava
Ao ostentar o fruto de seu roubo
Era ladrão em recuperação
E doía-lhe os dois lados agora
O não roubar pra seu gosto
E não se satisfazer de momentos
E o observar as flores
(Sem partes)
Que ele tornara feias
Roubando pedaços de suas belezas
Sem conseguir se embelezar
Era ladrão e admitia
Mas não lhe apetecia mais roubar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário