SENTIR
Vejo da janela flores rosas
E outras de igual aparência
Mas amarelas
São tão simples
Tão viçosas, tão belas
Mas só agora que as vejo
Apesar de sempre estarem lá
Colorindo o meu dia
Nunca me dei conta delas
A gente vai se afundando
Num emaranhado de rotina
E para de ver a beleza
Pura e pequena do dia a dia
A gente só vê trânsito
Fumaça e fila
Se esquece do sol azul
Do verde, do sol que brilha
Ai a vida vem te dar um susto
Quase se evade
Te mostra a fragilidade
E o quanto transpira futilidades
E você fica ali minguando
Dependendo de fios e gotas
E orações pra sobreviver
E quando já aceita morrer
Os sentidos das coisas mudam
E os seus sentidos também
Eles todos se avivam
E então se super ativam
Para você perceber cores
Sensações, cheiros e sabores
Que a rotina teimara em esconder
E assim aprendemos a usar a vida
Quando levamos uma porrada
Quando há risco de perder
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