NOJO
Você passa por mim e me vê
Mas finge não
O meu cheiro é teu cheiro
E o nosso cheiro
É podridão.
Eu estou ali no canto
E você tentando parecer santo
Em um altar
Meu olfato te encontra
Meu olho te golpeia
E meu corpo canta
A serenata bufante
De um desafinar cativante
Da nossa primeira canção.
Você me vê, me sente, me toma
Com um olhar de fome
Se alimenta, se delicia
Cospe, engole e me come
Mas se esconde em vergonha
Não aceita a alegria
De sermos um apenas
E sermos sujos sedentos
De ser um humano nojento
Que de seus vermes e nojos
Se delicia
E de nosso prazer fétido
Se alimenta.
Mazzucco, Marcos.
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