segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

NOJO


NOJO

 

Você passa por mim e me vê

Mas finge não

O meu cheiro é teu cheiro

E o nosso cheiro

É podridão.

Eu estou ali no canto

E você tentando parecer santo

Em um altar

Meu olfato te encontra

Meu olho te golpeia

E meu corpo canta

A serenata bufante

De um desafinar cativante

Da nossa primeira canção.

Você me vê, me sente, me toma

Com um olhar de fome

Se alimenta, se delicia

Cospe, engole e me come

Mas se esconde em vergonha

Não aceita a alegria

De sermos um apenas

E sermos sujos sedentos

De ser um humano nojento

Que de seus vermes e nojos

Se delicia

E de nosso prazer fétido

Se alimenta.

Mazzucco, Marcos.

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