quarta-feira, 2 de outubro de 2013

CUSPE

CUSPE

Eu falei que não te amava mais,
mas veio minha poesia e me desmentiu,
mostrou em cada palavra escrita desejo,
um amor quase insano, doentio
que já estava corroendo, machucando
então para não vacilar,
não titubear ou escorregar nas letras
e quebrar a cara numa rima
ou num verso qualquer,
eu parei de escrever.
As palavras que teimavam,
enfileirei todas e as engoli,
regurgitei umas que teimavam em sair.
Eram amargas, algumas ácidas
outras tantas duras,
perfeitas para quem se dirigiam.
Não digeria aquelas palavras
que foram, dentro de mim,
tornando-se mais duras,
mais ácidas e mais amargas
até tornarem-se veneno.
Tento segurá-las, mas elas escorrem
pelos cantos da minha boca
em profanações, maldizeres,
em poeminhas sujos que só tu entendes,
mas que para desespero meu, não te ferem.
Eu tentei engolir elogios e juras,
para esconder esse sentimento à toa
e agora cuspo ácido,
vômito nas folhas brancas,
tudo remoído em gana,
mesmo sabendo que é em vão
só para não morrer engasgado
com um palavrão na garganta
ou resto de amor entalado
bem no meio do coração.


MAZZUCCO, Marcos.

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