CUSPE
Eu falei
que não te amava mais,
mas veio
minha poesia e me desmentiu,
mostrou
em cada palavra escrita desejo,
um amor
quase insano, doentio
que já
estava corroendo, machucando
então
para não vacilar,
não
titubear ou escorregar nas letras
e quebrar
a cara numa rima
ou num
verso qualquer,
eu parei
de escrever.
As
palavras que teimavam,
enfileirei
todas e as engoli,
regurgitei
umas que teimavam em sair.
Eram
amargas, algumas ácidas
outras
tantas duras,
perfeitas
para quem se dirigiam.
Não digeria
aquelas palavras
que
foram, dentro de mim,
tornando-se
mais duras,
mais
ácidas e mais amargas
até
tornarem-se veneno.
Tento
segurá-las, mas elas escorrem
pelos
cantos da minha boca
em
profanações, maldizeres,
em
poeminhas sujos que só tu entendes,
mas que
para desespero meu, não te ferem.
Eu tentei
engolir elogios e juras,
para
esconder esse sentimento à toa
e agora
cuspo ácido,
vômito
nas folhas brancas,
tudo
remoído em gana,
mesmo
sabendo que é em vão
só para
não morrer engasgado
com um
palavrão na garganta
ou resto
de amor entalado
bem no
meio do coração.
MAZZUCCO, Marcos.
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